O ano de 2023 trouxe um choque para as famílias que financiavam suas casas através de créditos habitação a taxa variável. A Euriboy disparou e, com ela, as mensalidades de muitos portugueses. Num cenário onde cada euro conta, a manobra vista como salvadora foi a transferência de crédito habitação de um banco para outro, impulsionada, em parte, pelo levantamento da comissão de amortização antecipada.

Segundo os mais recentes dados do Banco de Portugal, as transferências de crédito habitação dispararam para 27% do total de novos créditos habitação em 2023, significativamente acima dos 8% em 2022. Esta mudança evidencia uma procura frenética por condições mais favoráveis em resposta ao aperto monetário.

As razões por trás deste fenómeno são variadas. Primeiramente, a política introduzida no final de 2022 para abolir a comissão de reembolso antecipado para certas condições de crédito habitacional a taxa variável veio como um alívio para quem buscava reduzir as suas despesas. Além disso, a crescente atuação dos intermediários de crédito como facilitadores destas operações removeu barreiras que antes desencorajavam esta prática.

Impulsionado pela ascendente Euribor e pela iniciativa governamental, 2023 tornou-se o ano de 'emigrar' de banco em busca de melhores taxas e condições, uma tendência alimentada pela necessidade de adaptação a um contexto económico incerto. Este comportamento traduz-se num declínio conveniente das novas operações de crédito detidas pela aquisição diretamente ligada a estes empréstimos, cerca de 30% menor que no ano anterior.