Depois de uma série de flutuações nos últimos meses, a taxa de inflação em Portugal experimentou um salto significativo em maio de 2024. Segundo os dados provisórios publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), a inflação homóloga disparou para 3,1% em maio, um crescimento que reflete em grande parte o chamado 'efeito base' associado à decisão anterior de implementação do IVA zero em um conjunto de bens essenciais.

Em detalhe, após uma redução de preços em maio de 2023 devido à isenção de IVA, eis que maio de 2024 conclui um aumento de 0,9 pontos percentuais em relação ao mês anterior. Este fenómeno não é apenas uma recuperação dos preços, mas sim uma representação clara do impacto a longo prazo de políticas fiscais na economia. O INE destaca que a exclusão de produtos alimentares não transformados e energéticos do cálculo da inflação subjacente levou a uma taxa de 2,7% em maio de 2024, marcando uma ascensão comparado ao 2,0% observado no mês anterior.

Outro aspecto digno de nota é a variação dos índices de produtos energéticos e alimentares não transformados. Enquanto a inflação de produtos energéticos teve uma ligeira redução para 7,8%, o índice de produtos alimentares não transformados subiu para 2,6%, demonstrando que o impacto do alívio no IVA não se limitou apenas aos preços no ano anterior mas continua a moldar a dinâmica de preços a longo prazo.

Quanto à variação mensal, maio de 2024 registou uma subida de 0,2% comparativamente a abril, mostrando uma tendência de estabilidade no curto termo. Este dado é sustentado por uma variação média nos últimos 12 meses stillada em 2,6%, confirmado a consistência desta métrica de inflação ao longo do tempo.

Finalmente, o Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC) também refletiu esta tendência, registando uma taxa homóloga de 3,9% em maio, um aumento considerável frente aos 2,3% do mês anterior, revelando como as dinâmicas inflacionistas podem variar significativamente de acordo com os índices e metodologias aplicadas.